segunda-feira, 29 de março de 2010

Amélia que era Mulher de Verdade...Literalmente

O título esta meio contraditório, já que sou uma Amélia Inconformada, mas vou escrever sobre "A" Amélia, minha avó materna que coincidentemente possuia este nome, e que infelizmente fez sua passagem na sexta-feira passada.

Não posso dizer que nos últimos tempos eu era muito apegada a ela, fazia muito tempo que não tinha contato e nem a visitava. Ela sempre foi uma pessoa um pouco distante dos filhos e dos netos zase doíam pelos pais...Minha mãe e seus 8 irmãos tiveram uma infância e adolescência difíceis, eram muito pobres, e meu avô era a parte carinhosa do casal, e minha avó digamos ficava com a parte pior, que eram as palmadas, as broncas, a rigidez, essas coisas...Por esse motivo, minha mãe e meus tios tem a imagem do meu avô como um santo (que ele era mesmo) e minha avó como uma pessoa mais distante e fria.

Mas quando eu era criança, amava ir na casa dela, era meu Parque de Diversões. Na época eu tinha por volta de 10 primos, na época, porque atualmente passou da casa dos 20, fora os bisnetos...


Tudo virava brinquedo ou brincadeira na casa dela: tinha um quartinho nos fundos que era a casinha das meninas e o QG dos meninos, tinha algumas louças velhas que fazíamos comidinha de areia, de mato, de flores (lógico que não comíamos hehehehehehe), colocávamos todas as cadeiras da minha vó no quintal e fingíamos que era um ônibus (Bã) e todos brigavam para ser o motorista, sempre os mais velhos ganhavam, faziámos aldeia de tatuzinhos bola, aqueles que ficam no jardim mesmo (é, nojento), o primeiro Programa da Xuxa (please, não faça as contas) assiti lá, dormir lá no inverno era uma delícia, ela nos enchia de cobertores e mantas, até ficar resfriada era legal, ela fazia uma misturinha de mel com limão e mais umas cositas, hum muito bom, e até tomar banho de canequinha quando acabava a energia elétrica era um evento, quando os netos brigavam ela fazia quem brigou se abraçar e logo a mágoa passava (que bom seria se as coisas se resolvessem assim hoje em dia), aprendi a comer de verdade lá, pois eu tinha um monte de frecurinhas que logo sumiram na casa dela (bom, essa é a parte ruim deveria ter ficado com as frescurinhas para comer), e o chá de boldo colhido diretamente do seu jardim, eca...era melhjor morrer de dor de barriga...

Enfim, apesar dos pesares, tenho uma ótima lembrança dela, e infelizmente só quando perdemos um ente querido nos tocamos que deveríamos passar mais tempo, visitar mais, aprender a não tomar as dores das pessoas como suas...

Vou sentir muitas, muitas saudades do que vivi com ela e do que poderia ter vivido, acho que essa última é o pior tipo de saudade.